segunda-feira, 30 de junho de 2014

Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras


A pesca artesanal garante a segurança alimentar e nutricional da sociedade brasileira. Cerca de 70% do pescado produzido no país é proveniente deste modelo de produção. Além da importância econômica, os pescadores e pescadoras artesanais desenvolvem uma série de saberes, fazeres e sabores que representa elementos culturais de matriz indígena e afro-brasileira. Ao praticarem essa atividade milenar, as comunidades pesqueiras estabelecem uma relação bastante peculiar com os recursos naturais, o que garante a preservação dos seus territórios, bem como sua reprodução física e cultural.

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Ao ignorar a importância econômica, social e cultural da pesca artesanal, o Estado brasileiro investe em políticas desenvolvimentistas que favorecem o avanço de grandes projetos econômicos em áreas historicamente utilizadas pelas comunidades tradicionais, ameaçando seu território e patrimônio cultural. A situação se agrava na medida em que o governo, através da pressão de empresários e latifundiários, busca flexibilizar a legislação ambiental a fim de favorecer a expansão do agro e hidronegócio, inclusive nas áreas de preservação permanente  (manguezais e matas ciliares).
Os pescadores e pescadoras artesanais, embora sejam populações tradicionais com direitos garantidos na constituição e nos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, a exemplo da convenção 169 da OIT, não têm uma lei específica como os indígenas e os quilombolas que explicite o direito ancestral ao território e a garantia do seu modo de vida.

Diante deste contexto, o Movimento dos Pescadores e Pescadoras  Artesanais (MPP) vem desenvolvendo um intenso trabalho de base com o propósito de animar os pescadores e pescadores em todo Brasil e a própria sociedade para a luta pelos direitos das comunidades pesqueiras. Paralelamente, vem reunindo forças e agregando parceiros para construir instrumentos legais que garantam a permanência das comunidades em seus territórios. 


A campanha pelo Território Pesqueiro foi lançada em Brasília/DF, em Junho/2012 e busca a assinatura de 1% do eleitorado brasileiro (equivalentes a 1.406.466 assinaturas), para uma lei de iniciativa popular que propõe a regularização do território das comunidades tradicionais pesqueiras. 

Defender o direito de pescadores e pescadoras artesanais é garantir na mesa da população brasileira o peixe natural e saudável, ameaçado de extinção devido ao processo de privatização das águas e dos territórios pesqueiros. Contamos com o apoio para este mutirão pelas comunidades pesqueiras: pela biodiversidade, cultura e soberania alimentar do povo brasileiro!

“Sem a garantia do acesso à terra, elemento base da cultura e da economia dessas populações, elas continuarão a sofrer opressão, marginalização, exclusão e expulsão, promovidas por empresas depredadoras, pelo turismo, a especulação imobiliária, o agronegócio e pelos projetos governamentais, como as grandes barragens, que têm invadido áreas cultivadas, alterando o ciclo da vida dos rios e provocando o despovoamento de suas margens. ” - Boletim da CNBB, 24-04-2012.

Para ter acesso ao abaixo-assinado, clique aqui. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Fundo Principe Claus para a Cultura e o Desenvolvimento recebe propostas até o final de fevereiro

Organizações que desenvolvam iniciativas de cultura e desenvolvimento podem enviar propostas para a edição 2014 do Fundo Principe Claus para a Cultura e o Desenvolvimento, financiado pelo Ministério Holandês de Relações Exteriores e pela loteria holandesa. Os projetos serão apoiados com recursos de, em média, 15 mil euros, ou 48 mil reais, aproximadamente.

Os projetos propostos devem ter duração de no máximo 12 meses e o Fundo busca iniciativas criativas e inovadoras que promovam a equidade e oportunidade, a partir da atuação da cultura com foco no desenvolvimento.

O prazo para envio de propostas é dia 28, no horário de Londres (GMT), e a ABCR recomenda que interessados fiquem atentos ao fuso horário e enviem projetos até o dia 27. O idioma principal dessa chamada é o inglês, e mais informações podem ser encontradas aqui.

fonte: http://captacao.org/recursos/editais-abertos/1186-fundo-principe-claus-para-a-cultura-e-o-desenvolvimento-recebe-propostas-ate-o-final-de-fevereiro

sábado, 23 de novembro de 2013

Teste Politico

Olha que bacana esse teste político: http://www.politicaltest.net/test/

 "No seguinte teste político, é-lhe perguntado sobre sua atitude em relação a diferentes temas políticos. Você terá que avaliar as declarações concordando totalmente, concordando em parte, ser neutro, discordando ou discordando fortemente. Você pode enfatizar até cinco declarações, se um determinado assunto é extremamente importante para você. Depois de terminar o teste, você vai ter uma avaliação detalhada do seu teste e pode compará-lo com os resultados de outros participantes. O teste político consiste em cerca de 50 declarações a diferentes áreas temáticas como política, economia e sociedade. Se isso está demorando demais para você, você pode completar a versão curta do teste, que consiste de 20 afirmações selecionadas. O meu resultado: Você é um Socialista Democrático Nacional. 3 por cento dos partícipes de teste estão na mesma categoria e 49 por cento são mais extremista do que você. 

 


São 50 afirmações onde voce pode optar por: 

Concordo plenamente
Concordo em parte
neutro
discordo
Eu discordo fortemente

A lista de afirmações:
Criminosos estrangeiros têm de ser deportado para seu país de origem depois de terem cumprido as suas penas.
Um referendo obrigatório deve ser realizada para cada demanda pela população.
O governo deve ter o controle sobre a mídia.
Os homossexuais têm direito a ter os mesmos direitos que os heterossexuais exatas.
Os recursos naturais pertencem à população e não deve ser privatizada.
A constituição de um Estado deve se relacionar com Deus.
A eutanásia ativa não devem ser classificados como crime.
Todos os cidadãos devem ter direito a alojamento humano.
Educação é propriedade comum , que tem de ser acessível de forma gratuita para todos os cidadãos.
Cada indivíduo só deve ser autorizada a possuir tanta terra como eles precisam para a vida.
A educação religiosa deve ser uma disciplina obrigatória em todas as escolas.
Os recursos têm de ser geridos pela sociedade.
O crescimento econômico é o fator mais importante para o bem -estar da nação.
A igualdade de gênero é uma das conquistas sociais mais importantes dos tempos modernos.
Drogas de todos os tipos devem ser completamente legal.
É motivo de preocupação de ninguém o que adultos fazem em seu quarto por mútuo acordo.
O Estado deve concentrar-se na segurança áreas centrais e da justiça.
O Estado tem de garantir que as pessoas são capazes de viver fora de seu trabalho com dignidade.
A solidariedade tem de ser uma obrigação para todos os cidadãos.
Renda, que não foi obtida por meio próprio trabalho, deve ser submetido a uma tributação mais elevada.
O governo deve interferir com o desenvolvimento do mercado o mais raramente possível.
A infraestrutura funciona melhor , se a responsabilidade recai sobre as empresas concorrentes.
As instituições religiosas não devem se privilégios especiais.
O castigo corporal é um elemento importante na criação dos filhos.
Sem os sindicatos , estaríamos vivendo em condições sociais catastróficas.
A redistribuição deve acontecer a partir do topo para a base.

O progresso técnico trouxe mais miséria do que benefícios para o mundo. Seria bom que as autoridades públicas para pagar suas dívidas não mais.
Os funcionários têm tomado forma demasiada liberdade para com os seus empregadores por agora.
A corrida armamentista atômica efetivamente impediu uma guerra convencional.
Os direitos humanos mais elementares também se aplicam aos primatas.
O consumo de carne é censurável por razões ecológicas , morais e de saúde.
Tiranias que violam os direitos humanos devem ser eliminados através de uma intervenção militar internacional.
Devemos reduzir os nossos padrões de vida maciçamente para proteger o meio ambiente.
A nação deve potencialmente ser autorizados a utilizar meios militares para garantir o acesso aos recursos naturais.
Mesmo pequenos delitos devem ser punidos com rigor para evitar criminalidade desenfreada.
A globalização é desejável , desde que todas as nações podem lucrar com isso.
A violência nunca é a resposta.
Homem tem o direito de melhorar sua qualidade de vida através da realização de experiências com animais.
Algumas nações são superiores aos outros por causa de seu pool genético.
A fim de prevenir ou resolver crimes ruins , justifica-se observar pessoas ainda insuspeitos.
A livre iniciativa é um direito humano inviolável.
O castigo físico ou trabalho forçado são meios legítimos e adequados para desencorajar o crime.
Sem acreditar em um poder superior , não é possível estabelecer um sistema plausível de valores. Em nome da estabilidade do Estado , o governo tem que ser capaz de silenciar os críticos.
A única responsabilidade social de uma empresa é gerar lucro.
Os imigrantes são sempre um enriquecimento para o país de acolhimento.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ministro critica o Google por se opor a nova regra para web

Reproduzido da Folha de S.Paulo
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, defendeu a disposição do governo em obrigar empresas de internet a armazenar dados no país e questionou a posição de companhias contrárias à medida, como o Google. “O Google irá faturar R$ 2,5 bilhões este ano apenas com publicidade no país. Por que reclamaria?”, afirmou.
A intenção do Planalto, anunciada pela presidente Dilma Rousseff e reiterada por Paulo Bernardo, é incluir a obrigação de armazenamento de dados no Brasil no projeto do Marco Civil da Internet, que estabelecerá novas regras para o uso da rede. O texto foi encaminhado ao Congresso ainda em 2011, mas tornou-se prioridade no Planalto desde a revelação da espionagem dos EUA no Brasil pelo jornal O Globo. O governo espera que o texto do relator do projeto, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), seja posto para votação na Câmara em agosto.
Segundo o ministro, o Brasil se tornou o quarto maior mercado do mundo para empresas de telecomunicações; por isso, as companhias estrangeiras têm bons motivos para investir em centros de armazenamento no país. Ele afirmou que já sinalizou ao próprio Google o interesse do governo em estimular investimentos no setor. “Há cerca de um mês, me encontrei com representantes do Google e eles me perguntaram como a empresa poderia ajudar. Respondi que é só investir mais.”


Em comissão, ministro Paulo Bernardo diz que informações estratégicas do governo brasileiro não são tratadas por e-mail

Projetos de R$ 250 milhões

Segundo o ministro, é definitiva a posição do governo de incluir o armazenamento de dados no país no Marco Civil da Internet. “Isso pode ser feito mediante acordo com o relator ou apresentação de uma emenda ao projeto.” A obrigatoriedade abrangerá só as empresas que tenham escritório no Brasil. Ficarão liberadas as que ofereçam serviços a brasileiros, mas sem subsidiárias no país. O prazo para que as empresas se adaptem será definido na regulamentação do projeto, mas a ideia é que a nova regra comece a valer após um período de 12 a 24 meses. O ministro defende que a exigência dará segurança aos usuários do país, que terão a possibilidade de recorrer judicialmente caso as companhias usem indevidamente suas informações.
O governo já vinha tentando trazer recursos para centros de armazenamento. O segmento foi um dos beneficiados pelo decreto que isenta projetos de infraestrutura de banda larga dos impostos PIS, Cofins e IPI. Até o momento, foram apresentados projetos que somam cerca de R$ 250 milhões – um montante ainda tímido na avaliação do ministro.

Para empresa, projeto poderá limitar serviço

O Google informou, em nota, que apoia o texto do Marco Civil da Internet, mas que a “sociedade não deveria aceitar nenhuma tentativa repentina de alterar os princípios básicos do projeto de lei”. Segundo a empresa, trata-se de uma “lei importante para proteger a liberdade de expressão e a capacidade da internet de gerar crescimento econômico”.
A companhia, contudo, é contra o armazenamento de dados de usuários brasileiros no país e defende a preservação dos “princípios básicos” do projeto. Um dos argumentos é que a proposta pode ter efeito inverso ao pretendido pelo Planalto e acabar inibindo novos investimentos no setor. Para o Google, a emenda do governo “arrisca limitar” o acesso a serviços de companhias estrangeiras de internet por usuários brasileiros, já que a obrigatoriedade do armazenamento local implicará novos custos.
“A emenda proposta ao Marco Civil, exigindo que as empresas de internet mantenham dados de usuários brasileiros no Brasil, arrisca limitar o acesso dos usuários brasileiros a serviços de empresas dos EUA e outros países.” A nota afirma, ainda, que “o Marco Civil foi construído de forma democrática, com objetivo de garantir uma internet aberta, global e inovadora”.

Renata Agostini, da Folha de S.Paulo em 23/07/2013.

BOLÍVIA CRIA LEI DA MÃE TERRA

"No Brasil, o Código da Diversidade Biológica não despertou a atenção esperada. Provavelmente porque todos aqueles que criam as leis, instrumentos legais e normativos sejam alienígenas e invasores desse território megadiverso.

Caso fossem ligados à terra teriam suas ações seriam fundamentadas em escalas temporais de médio e longo prazo. Sua pauta de ação está voltada para a exploração e expropriação, e não se descortinam maneiras de sensibilizá-los frente a essa questão.

Novamente, espera-se que o Presidente e o povo da Bolívia ensine-nos a valorizar nosso patrimônio e a exercer nossa cidadania. Pelo jeitão, a estrada que leva a tal posicionamento, além de ser muito longa, parece ser algo sofrido.

Vamos ver como a "pátria de chuteiras" consegue assimilar essas lições." 

Paulo Harkot, oceanógrafo. Diretor da Sinérgica - Estudos e Soluções.


País dá exemplo ao mundo

A Bolívia está em vias da aprovar a primeira legislação mundial dando à natureza direitos iguais aos dos humanos. A Lei da Mãe Terra, que conta com apoio de políticos e grupos sociais, é uma enorme redefinição de direitos. Ela qualifica os ricos depósitos minerais do país como "bençãos", e se espera que promova uma mudança importante na conservação e em medidas sociais para a redução da poluição e controle da indústria, em um país que tem sido há anos destruído por conta de seus recursos, informa o Celsias.
Na Conferência do Clima de Cancun, a Bolívia destoou da maioria quando declarou que todo o processo era uma farsa, e que países em desenvolvimento não apenas estavam carregando a cruz da mudança do clima como, com novas medidas, teriam de cortar também mais suas emissões.
A Lei da Mãe Terra vai estabelecer 11 direitos para a natureza, incluindo o direito à vida, o direito da continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio, e o direito de não ter estruturas celulares modificadas ou alteradas geneticamente. Ela também vai assegurar o direito de o país "não ser afetado por megaestruturas e projetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e as comunidades locais".
Segundo o vice-presidente Alvaro García Linera. "ela estabelece uma nova relação entre homem e natureza. A harmonia que tem de ser preservada como garantia de sua regeneração. A terra é a mãe de todos".  O presidente Evo Morales é o primeiro indígena americano a ocupar tal cargo, e tem sido um crítico veemente de países industrializados que não estão dispostos a manter o aquecimento da temperatura em um grau. É compreensível, já que o grau de aquecimento, que poderia chegar de 3.5 a  4 graus centígrados, dadas tendências atuais, significaria a desertificação de grande parte da Bolívia.
Esta mudança significa a ressurgência da visão de um mundo indígena andino, que coloca a deusa da Terra e do ambiente, Pachamama, no centro de toda a vida. Esta visão considera iguais os direitos humanos e de todas as outras entidades. A Bolívia sofre há tempos sérios problema ambientais com a mineração de alumínio, prata, ouro e outras matérias primas.
O ministro do exterior David Choquehuanca disse que o respeito tradicional dos índios por Pachamama é vital para impedir a mudança do clima. "Nossos antepassados nos ensinaram que pertencemos a uma grande família de plantas e animais. Nós, povos indígenas, podemos com nossos valores contribuir com a solução das crises energética, climática e alimentar".  Segundo a filosofia indígena, Pachamama é "sagrada, fértil e a fonte da vida que alimenta e cuida de todos os seres viventes em seu ventre."

terça-feira, 30 de julho de 2013

Presidente Evo Morales da Republica Plurinacional da Bolivia da Show na Europa e Cobra Dividas!

Com linguagem simples, que era transmitida em tradução simultânea a mais de uma centena de Chefes de Estado e dignitários da Comunidade Européia, o Presidente Evo Morales conseguiu inquietar sua audiência quando disse:

 "Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião.Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos.
 Aqui pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa. O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.
O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. Também posso reclamar pagamentos e também posso reclamar juros. Consta no Archivo de Indias, papel sobre papel, recibo sobre recibo e assinatura sobre assinatura, que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a San Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Saque? Não acredito! Porque seria pensar que os irmãos cristãos pecaram em seu Sétimo Mandamento.
Expoliação? Guarde-me Tanatzin de que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão!
Genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomé de las Casas, que qualificam o encontro como de destruição das Indias, ou a radicais como Arturo Uslar Pietri, que afirma que o avanço do capitalismo e da atual civilização europeia se deve à inundação de metais preciosos!
Não! Esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata devem ser considerados como o primeiro de muitos outros empréstimos amigáveis da América, destinado ao desenvolvimento da Europa. O contrário seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito não só de exigir a devolução imediata, mas também a indenização pelas destruições e prejuízos. Não
Eu, Evo Morales, prefiro pensar na menos ofensiva destas hipóteses.
Tão fabulosa exportação de capitais não foram mais que o início de um plano ‘MARSHALLTESUMA’, para garantir a reconstrução da bárbara Europa, arruinada por suas deploráveis guerras contra os cultos muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho cotidiano e outras conquistas da civilização.
Por isso, ao celebrar o Quinto Centenário do Empréstimo, poderemos perguntar-nos: Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo dos fundos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indoamericano Internacional? Lastimamos dizer que não. Estrategicamente, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem outro destino que terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como no Panamá, mas sem canal. Financeiramente, têm sido incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de cancelar o capital e seus fundos, quanto de tornarem-se independentes das rendas líquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este deplorável quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e os juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus as vis e sanguinárias taxas de 20 e até 30 por cento de juros, que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos adiantados, mais o módico juros fixo de 10 por cento, acumulado somente durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça.
Sobre esta base, e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que nos devem, como primeiro pagamento de sua dívida, uma massa de 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambos valores elevados à potência de 300. Isto é, um número para cuja expressão total, seriam necessários mais de 300 algarismos, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.
Muito pesados são esses blocos de ouro e prata. Quanto pesariam, calculados em sangue?
Alegar que a Europa, em meio milênio, não pode gerar riquezas suficientes para cancelar esse módico juro, seria tanto como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demencial irracionalidade das bases do capitalismo.
Tais questões metafísicas, desde logo, não inquietam os indoamericanos. Mas exigimos sim a assinatura de uma Carta de Intenção que discipline os povos devedores do Velho Continente, e que os obrigue a cumprir seus compromissos mediante uma privatização ou reconversão da Europa, que permita que a nos entregue inteira, como primeiro pagamento da dívida histórica."

sábado, 29 de junho de 2013

Novo canal de vídeo do Inculto Digital transmite o 1º Festival de Quadrilhas Juninas de São Vicente

     O inCulto Digital em parceria com o Ponto de Cultura Identidade e Região: Laboratório Caiçara de Produção Audiovisual e a Secretaria da Cultura de São Vicente, transmitirá o último final de semana do 1º Festival de Quadrilhas Juninas promovido pela Secretaria da Cultura será animado, na área coberta de 4.500m² instalada na Praia do Itararé.

ON LINE E AO VIVO!

     Nos dias 29 e 30 a partir das 18h, vão se apresentar grupos juninos de dança, seguindo-se de show. Tudo isso na arena com arquibancadas para 800 pessoas, com entrada gratuita.

     Isso é o inicio de um novo canal de vídeos que já tem definido também a transmissão do evento Mar Café http://marcafe.eco.br/ que acontecerá a cada quinze dias. Cada encontro haverá um tema diferente, mas que são interligados quando se trata de conhecimento da questão ambiental, a próxima transmissão é nesta quinta (04/07). 

Acesse o canal (em construção) neste link: http://ustre.am/10qwL

Video streaming by Ustream

terça-feira, 30 de abril de 2013

SINESTESIA: UMA CONDIÇÃO NEUROLÓGICA QUE MISTURA SENTIDOS DIFERENTES

      Para algumas pessoas os sentidos se confundem. Olhar para um número, por exemplo, evoca uma cor específica. Esse fenômeno, chamado sinestesia, aparentemente ocorre porque áreas cerebrais que normalmente não interagem no processamento de informações “esbarram” em outras regiões e as ativam. O resultado dessa “contaminação” é que um único estímulo – visual, auditivo, olfativo ou tátil – pode desencadear a sensação de dois eventos sensoriais diferentes e simultâneos.

      A sinestesia pode envolver qualquer um dos sentidos. Há sinestetas que ouvem sons em resposta a cheiro, cheiro em resposta ao toque, ou que sentem algo em resposta a visão. Há pessoas, por exemplo, que toda vez que ouvem determinados sons, enxergam diferentes cores. A pianista francesa Hélène Grimaud relata: "Quando toco o dó menor, enxergo o preto. O ré menor é azul. Já o mi maior parece algo brilhante, similar à luz do sol."

    As percepções sinestésicas são específicas em cada pessoa. Diferentes pessoas com sinestesia quase sempre discordam em suas percepções. Há algumas pessoas que possuem a sinestesia que envolve três ou até mais sentidos, mas isso é extremamente raro. Não se trata de um quadro temporário na maioria dos casos, ainda que haja algumas raríssimas exceções; por isso um dos principais critérios para a detecção de sinestesia é sua estabilidade ao longo do tempo. Também não é caracterizada como distúrbio. Os sinestésicos são pessoas absolutamente normais, que não manifestam problemas cognitivos ou outras disfunções.

Texto de Psico Loucos.

    

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Audiovisual na comunidade – dialogo, critica e organização social

Os meios de comunicação não podem ser apenas distribuidores de informações e interpretações à população, mas ensiná-la o valor da informação e da interpretação, de forma a permitir que descubra por si própria as mensagens e seja capaz de refletir com suas próprias conclusões.

          Para além do aprendizado das técnicas do audiovisual, as oficinas se voltam para o ensino de uma perspectiva crítica sobre produtos de cinema, vídeo e televisão, ao trabalho coletivo, difusão do vídeo como forma de expressão e ao estímulo de ações pessoais e sociais que interfiram na comunidade em que estão inseridas.

            Esse processo de (des)construção da mídia audiovisual proporciona uma melhor visão sobre a realidade, incentiva a pesquisa e a busca do conhecimento, para registrar as condições de vida dos habitantes e diagnosticar as necessidades sociais de forma mais ampla e precisa.

       A população jovem precisa de um resgate cívico, uma forma de transmissão do conhecimento em caráter comunitário. Para isso é preciso resolver antes o problema histórico-social da comunicação, uma questão tão importante quanto a educação, a economia, a saúde e a defesa.

            Se iniciarmos uma transformação para que utilizemos os meios de comunicação como ágora da sociedade, que todos os sentidos positivos e negativos dessa sociedade sejam postos em público; se os acertos e os erros são postos em discussão, se a sociedade começa a ver a si mesma, para então iniciar uma discussão no intuito de desenvolver uma organização social mais saudável e sustentável estará muito mais próximo da democracia de fato.

          São ações de comunicadores sociais que trazem de volta o sentido verdadeiro de comunhão da comunicação esquecido por força das preocupações diárias dos profissionais no atendimento do mercado empresarial, politico, ideológico ou personalista.

            Para isso devem aceitar a complexidade e importância que é olhar e ver a organização politica da sociedade como referencia central e a comunicação como uma de suas manifestações mais intensas e importantes.

               A comunicação não é o poder que manipula todos os outros, inclusive os cidadãos na sociedade do espetáculo em um mundo mediatizado. Porém pode vir a ser o estopim para legitima manifestação da micropolítica, importante à organização da vida contemporânea. Aprimorando o modo que a população “percebe” os problemas que a afeta e que se designam pelo nome genérico de “subdesenvolvimento humano”.

Diferentemente do que poderíamos chamar de “fazer televisão” que significa trabalhar nesse meio de comunicação, neste caso, por possuir seus próprios modos de produção e exibição, com conteúdos e públicos específicos chamamos de “fazer vídeo”, que quer dizer produzir programas ou cinema digital (ficção ou documentário) utilizando equipamentos eletrônicos para produção e exibição em qualquer plataforma ou aparelho individual.

        É evidente a pouca utilização da produção e da propriedade do conhecimento como instrumentos de inserção social, assim como, é nítida as crescentes manifestações e ações que valorizam a comunicação e a expressão como objeto de desenvolvimento individual e coletivo. Para ampliar a democracia, é preciso dar acesso à tecnologia e à informação.

         É natural a sociedade produzir informação e, é também essencial para o fortalecimento das comunidades excluídas. As oficinas de comunicação levantam a bandeira da responsabilidade, da emancipação social, possibilita o contato com a tecnologia, a informação e, consequentemente, ao conhecimento, alterando hábitos, tornando as pessoas mais autônomas e dinâmicas.

            Através dessa animação social e cultural utilizando os meios audiovisual e digital para exibição direcionada, colocando em movimento um bairro, ou mesmo um grupo. Possibilita colocar as pessoas em relação uma com as outras, de ajudá-las a reconhecer, discutir e resolver os problemas que elas encontram. É por aqui que a gente se vê!

*Danilo Tavares - Documentarista 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Malucos de Estrada - A reconfiguração do movimento "hippie" no Brasil

Imagine a oportunidade de mostrar num filme um modo de viver que poucos conhecem e capaz de inspirar tanta gente!
Sonhos, arte, poesia, cooperação, liberdade, revolução, desapego, igualdade, lutas... Sentimentos e ações que muitas vezes reprimimos em razão dos padrões sociais pré-estabelecidos, mas que são vividos intensamente por homens e mulheres que botaram uma mochila nas costas e o pé na estrada.
Mas quem são eles? Como vivem? No que acreditam?
O filme “Malucos de estrada: a reconfiguração do movimento hippie no Brasil” é uma iniciativa inédita que busca esclarecer a sociedade sobre a riqueza de valores deste universo cultural e colocar em discussão o atual processo de repressão que os artesãos vêm sofrendo.
A urgência e relevância em lançar luz sobre esta cultura é que sua sobrevivência e integridade estão seriamente ameaçadas pela invisibilidade social e por certo desconhecimento por parte dos gestores públicos sobre esta realidade.
Acreditamos que este documentário será o ponto de partida para o amplo reconhecimento do maluco de estrada como manifestação cultural específica. Este será um filme lançado pela internet com livre acesso para que se converta num produto da sociedade.
Esse movimento é sobretudo uma luta para que vivamos de fato numa sociedade democrática que conviva com as diferentes visões, interesses e saberes, potencializando ao máximo o bem-estar coletivo.
Faça parte desta iniciativa conosco! Contribua para realização do filme e compartilhe nossa páginamobilizefb.com/malucosdeestrada
Assista o nosso primeiro documentário, lançado em 2011 e visto por mais de 200 mil pessoas:
"A criminalização do artista - como se fabricam marginais em nosso país"
vimeo.com/belezadamargem/criminalizacaodoartista
Ficha Técnica:
Realização Coletivo Beleza da Margem
Direção: Rafael Lage
Produção: Cyro Almeida
Ass. de produção: Ariane Soares
Câmera: Barnabé, Douglas Resende, Gustavo Policarpo, Moacir Gaspar, Wesley Hudson
Edição de som: Nelson Pombo
Edição de imagem: Flávio Charchar
Trilha sonora:
Ricardo Mira - Além das Aparências
Ponto de Equilíbrio - Só quero o que é meu

A INCRÍVEL FABRIQUETA DE CAPAS DE CD

Olá, produzi esse video mostrando como é feito encarte de CD/DVD com papelão reutilizado, criatividade e atitude sustentável. E barato.


O exemplo do vídeo é do álbum 'Canções Velhas Para Embrulhar Peixes'. com músico Peri Pane e o o artista plástico Rafael Gentile.


Se gostou compartilhe a idéia!

Peri Pane (voz, violão e violoncelo)
arrudA (intervenções poéticas)
Marcelo Dworecki (violão de aço e cavaquinho)
Otávio Ortega (piano e acordeom)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Programa Petrobras Distribuidora de Cultura - seleção pública para circulação de peças teatrais no país

PROGRAMA PETROBRAS DISTRIBUIDORA DE CULTURA

Estão abertas as inscrições para a maior seleção pública para circulação de peças teatrais no país, o Programa Petrobras Distribuidora de Cultura, edição 2013-2014. Assim como nas edições anteriores, o objetivo é contemplar projetos teatrais profissionais, não inéditos, nas categorias adulto e infanto-juvenil, relevantes dentro do cenário cultural brasileiro. O valor total da verba é de R$ 15 milhões para o biênio 2013-2014. Além do aumento de 20% na verba do programa, outra novidade deste ano é que, com objetivo de democratizar o acesso de proponentes de todas as regiões do país, serão selecionados, no mínimo, 5% dos projetos inscritos por diferentes pessoas jurídicas sediadas em cada região do país. Ou seja, a cada vinte projetos inscritos por diferentes empresas de determinada região, no mínimo 1 deverá ser contemplado. Todos os critérios estão detalhados no regulamento em anexo.

Mais informações no site da Petrobras.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como os vídeos da internet potencializam a inovação global





Chris Anderson diz que o aumento de vídeos na internet está impulsionando um fenômeno global que ele chama de "Inovação Acelerada pela Multidão" -- um ciclo de aprendizado autoalimentado que pode vir a ser tão significante quanto a invenção da imprensa. Mas, para explorar todo seu potencial, as organizações deverão assumir uma radical abertura. E, para o TED, isto significa a aurora de um capítulo inteiramente novo...

After a long career in journalism and publishing, Chris Anderson became the curator of the TED Conference in 2002 and has developed it as a platform for identifying and disseminating ideas worth spreading


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Workshop de Percussão com Nyllo Canela



InCulto Digital com apoio do Ponto de Cultura Identidade e Região promove workshop de percussão com o musico Nyllo Canela: Percussionista, iniciou sua carreira em meados de 95 tocando samba, afoxê, samba-reggae e maracatu. Estudou com grandes nomes como: Orlando Costa, Peu Meurray e Arrepiado. Sua pesquisa em tambores e percussões do mundo foi fundamental para a formação de um set personalizado, onde estão presentes a tabla indiana, o derbake árabe, a tama, o batá, tambores e percussões exclusivas construídas por ele a partir de materiais reciclados, como canos de pvc, botijões de gás, baldes e pneus. Sua sensibilidade e musicalidade levaram a dividir  palco com grandes artistas, tais como: Seu Jorge, Paula Lima, Mônica Passos, Benito de Paula, Arlindo e Sombrinha, e Chico César, em variados palcos brasileiros. Neste ano foi para Europa e participou de festivais de musica na Bélgica, Alemanha e França. Está lançando o primeiro disco do grupo Saramandaia, onde desenvolveu toda a parte rítmica das canções.

Veja como participar
Para participar voce deve baixar a ficha de inscrição (arquivo .doc ou .odt), a taxa de adesão é apenas 10 reais, que pode ser pago no local. Duvidas, falar com o Danilo (13-78503083 id 961*17800) ou com André (13-97319969). Após isso, enviar ficha de inscrição preenchida para o email contato@incultodigital.com.br .

O local do evento é Rua Jacob Emmerich, 1324 - entre a Câmara de Vereadores e o Fórum Judiciário. Veja no mapa como chegar.

Após o workshop teremos a presença da Banda Saramandaia! Não perca!


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Um pouco sobre sombras



A sombra se origina de uma deficiência local e relativa da luz visível. A luz é o fluxo de unidades de massa-energia emitidas por uma fonte de radiação, pelo sol ou por uma vela. As unidades de massa-energia, ou fótons, são excedentes de energia, o produto excedente de partículas menores que se combinam para converter-se em partículas maiores, e alguns desses fótons são mais energéticos do que outros. A luz visível consiste apenas de fótons no meio dessa cadeia de energia, que é representada em termos do pulso de distúrbio elétrico, ou comprimento de onda. Esses fótons de energia moderada são visíveis naquelas células da retina do olho que evoluíram para reagir a eles, do mesmo que não reagem àqueles de energia muito baixa; os de energia muito alta não são admitidos no olho interior. Pág.17
O comportamento de qualquer fóton particular é notoriamente imprevisível... seu comportamento é complexo e estranho porque isso implica um intricado intercâmbio com elétrons locais, e não apenas o simples salto ou a trajetória de um projétil do mundo do senso comum... os fótons tendem a tomar o caminho mais econômico em relação ao tempo. Em meios consistentes, como o ar puro ou a água, esse caminho é muitas vezes uma linha absolutamente reta; as complicações surgem nos meios complexos, como a atmosfera, e na confrontação entre meios, como a transição curva do ar para a água.
Alguns pontos mais sutis do comportamento dos fótons tornam-se manifestos de fato quando nos aprofundamos na morfologia e comportamento da sombra... Primeiro, os fótons muitas vezes favorecem trajetórias em linha reta. E, em segundo lugar, existem muitas estruturas moleculares através das quais sua energia não é transmitida como luz visível.
A sombra, portanto, é em primeiro lugar uma deficiência local, relativa, na quantidade de luz que incide sobre uma superfície, e é objetiva. Pág.18
No caso do primeiro tipo de sombra, aquele que é causado por um sólido interveniente entre uma superfície e a fonte de luz (como um nariz que impede a luz de alcançar o lábio superior), será empregado o termo sombra projetada; e quando uma luz projetada é lançada. No caso de uma superfície diferençável, ela será descrita como lançada. No caso do segundo tipo de sombra, sobre superfícies que ficam fora do alcance da luz (como sob a parte embaixo do nariz), o melhor termo será auto-sombra, que é o termo usado nos estudos de visão por computador. Quanto a sombreado, a palavra é de uso demasiado freqüente para não a empregarmos, e se houver algum risco de ambigüidade, pode-se qualificá-lo de sombreado obliquo/inclinado, sendo obliquo quando o ângulo é formado com o eixo vertical, e inclinado quando o ângulo é formado com o eixo horizontal. Pág.21
As fontes de luz variam em extensão, desde fontes que podem ser consideradas pontuais, passando por vários níveis de fonte estendida, até uma fonte nocionalmente não-direcional – admitindo-se infinitas reflexões de luz a partir das superfícies ambientes – chamada luz ambiente. As fontes pontuais produzem a sombra de borda mais marcada; a luz ambiente perfeita não produziria nenhuma.

Do livro Sombras e Luzes – Michael Baxandall – EdUsp – Coleção Texto e Arte 15 Introdução: Buracos Num Fluxo

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Capital social não é soma das potencias individuais e sim a potencia da cooperação social


        Capital social nada mais é do que, em suma, cooperação ampliada socialmente. Só pode haver produção de capital social se os seres humanos fizerem coisas que contradizem seus interesses imediatos, por exemplo, cooperar sem esperar recompensa imediata, proporcional ou prevista em prazo conveniente. Infelizmente o que vemos sem muito pudor é a visão de que o homem é naturalmente competitivo, transformando a cooperação apenas em uma ferramenta de busca racional para obter maiores ganhos futuros, mas como explicar que existe tanta cooperação espontânea no mundo?
       Supor que a competição seja uma característica inerente à natureza humana – porque o homem é um animal e os animais competem por recursos e, no caso dos primatas, também por poder (afirmativas muito questionáveis) é um axioma de uma ideologia moral. Sendo assim, competir não está no DNA e sim na cultura (na ignorância, na fé ou no cinismo). Então cooperar ou competir é uma questão de preferencia na escolha, e com certeza a primeira é a melhor escolha, por ser mais conforme a um comportamento universalmente observado de haver tanta cooperação espontânea no mundo real, o que não poderia haver com a mesma frequência observada, caso o ser humano fosse inerentemente competitivo.
      Os subdiscursos axiologico-normativos dos economistas, que mais parecem teorias morais e com frequência imorais, pregam a teoria econômica dos jogos, e nos coloca como um ser puramente racional e não como um ser emocional racional, o que justifica os limites das explicações que alguns economistas fornecem para a solução dos chamados dilemas da ação coletiva. Os seres humanos majoritariamente, na maioria das culturas, não escolhem com frequência a opção que seria racionalmente a mais vantajosa para si como indivíduos, por quanto trapacear não é uma opção emocionalmente confortável. Porém existe aqueles humanos que se satisfazem na disputa, na economia dos jogos, na luta pelo poder e nos resultados imediatos individuais.
       Há uma grande dificuldade de explicar por que tantas pessoas votam, fazem doações a entidades caritativas ou permanecem leais a seus empregadores e grupos políticos, haja visto que a maioria dos modelos de comportamento egoísta sugerem que é irracional e difícil obter soluções cooperativas. Deve-se perguntar: Por que há tantos discursos pregando a competição já que todos sabem que os seres humanos são sociáveis e são recompensados emocionalmente pelo reconhecimento social que advém do exercício da colaboração? De fato, o pressuposto básico da competição tem de estar presente para o esquema explicativo funcionar, legitimando (e contribuindo para reproduzir) um mundo de competição em que a explicação, então, funcione.
       A capacidade de produzir capital social é construída, fundamentalmente, pela capacidade que tem o ser humano de colaborar ou de cooperar com outros seres humanos. O último termo é melhor por ser mais abrangente: “co-laborar” evoca a noção de trabalhar em conjunto, enquanto que “co-operar” se refere a quaisquer (oper)ações conjuntas.
       O que nos faz humano é a linguagem que não é, fundamentalmente, o tamanho do cérebro o que torna possível, é o modo de conviver que surge da cooperação. E cooperação não se dá nas relações de dominação e submissão: A OBEDIÊNCIA NÃO É UM ATO DE COOPERAÇÃO.

observação: A maior parte do que está escrito foi retirado do texto "Uma Teoria da Cooperação Baseada em Maturana" do site Escola de Redes . https://www.facebook.com/escoladeredes 
Eu organizei e inclui algumas coisas. Não é plagio, mas sim re-produção resumida e direcionada.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

OUTRAS POLÍTICAS PARA OUTRAS ECONOMIAS - Tese de Doutorado


"[...]
     Em suma, de que forma se configuravam empiricamente a participação e a transversalidade propostas como elementos constituintes de políticas para “outra economia”.
[...]
      O objetivo principal deste trabalho foi examinar, ao longo do período 2003-2010, dinâmicas institucionais e padrões de interação que se estabelecem, no interior do aparelho estatal assim como no plano das relações Estado-sociedade, em torno da estruturação de ações de apoio a organizações econômicas de base associativa e autogestionária. As perguntas que nortearam a pesquisa giram em torno das formas e conteúdos que estas políticas assumem, a partir da identificação e análise dos contextos sócio-históricos e das dinâmicas das redes de relações em que se dá sua construção. Tendo em vista esses contextos e redes, como as demandas da economia solidária se traduziram no desenho de políticas federais e, sobretudo, no que de fato se estabeleceu como prioridade e chegou a se concretizar? Quais os principais atores envolvidos na produção dessas políticas, em torno de quais questões se estabeleceu a aliança, o acordo, o consenso, o conflito, o impasse? Quais os fatores que favoreceram ou limitaram a consolidação de concepções, processos e arranjos de políticas públicas que se propõem a questionar modelos hegemônicos de fazer economia e de fazer política?
[...]
       As práticas de economia solidária precedem o uso do termo tal como vem sendo utilizado. Não são fenômeno recente na história das sociedades humanas, mas, nas últimas décadas, têm despertado renovado interesse em alguns países – seja pela recriação de formas tradicionais, seja pela emergência de formas inovadoras de solidariedade no plano econômico – no campo das práticas assim como nos debates políticos e teóricos. Na verdade, ela é considerada simultaneamente antiga e recente, duas ideias acionadas de modo positivo nos discursos sobre suas origens, sem que isso apareça como contraditório a seus atores (MOTTA, 2010: 131).
[...]
       Não há dúvida de que a economia solidária guarda grandes convergências com a tradição cooperativista. No Brasil, a maioria das organizações do mundo da economia solidária faz constante alusão aos princípios originalmente estabelecidos pelo movimento cooperativista, ainda que só 10% de empreendimentos mapeados no SIES adotem a forma jurídica de cooperativa, conforme dado já mencionado. O baixo número de cooperativas mapeadas indica o distanciamento da economia solidária em relação ao chamado cooperativismo “tradicional”, geralmente ligado à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que engloba principalmente grandes cooperativas agrícolas e de crédito, além de consumo, transporte, prestação de serviços (principalmente saúde) e outros17.
[...]
            Ao mesmo tempo, para vários dos estudiosos da economia solidária no Brasil, as referências ao pensamento socialista autogestionário não têm tido o espaço que se poderia esperar. Frequentemente alude-se aos chamados “utópicos” ou à posterior história do cooperativismo desde Rochdale, gradualmente desvinculada das correntes teóricas do socialismo libertário. Daí a perplexidade de um dos estudiosos da economia solidária que se reconhece na tradição marxista, o economista e professor da Unesp Henrique Novaes (2011), diante da virtual ausência de debates na economia solidária sobre estas correntes marxistas (ou que eventualmente romperiam com o marxismo). Para mim, ecoando Novaes, também parece incompreensível que um pensador como Tragtenberg permaneça praticamente ausente nos debates da economia solidária, seja na produção acadêmica, seja nos materiais de formação política – a não ser por exceções como Cláudio Nascimento (1999) e Maurício Faria (2005), estudiosos da autogestão que têm em comum nas suas trajetórias terem se sucedido no cargo de coordenador da área de formação da Senaes, além da professora de educação da UFF Lia Tiriba(2001), do economista e professor da UFPel Antônio Cruz (2007), ou do próprio Novaes.
[...]
         De modo bastante simplificado, arriscaria resumir que os debates em torno dos sentidos da autogestão giram hoje em torno da seguinte questão: se eles só se verificariam em contextos de fluxo revolucionário que se abram à possibilidade de ir “além do capital”, ou se, ao invés, já estariam presentes em experiências de forte conteúdo anti-capitalista, isoladas e limitadas, mas concretas, construindo caminhos, no aqui e agora, para avançar em dilemas da autogestão tão presentes nas experiências do passado e frequentemente não enfrentados na reflexão teórica, tais como: formas de planejamento e organização, tecnologias herdadas e tecnologias alternativas, tempo de envolvimento nos processos decisórios etc. São visões distintas dentro do próprio pensamento autogestionário, que de certo modo colocam-se em extremos opostos.
[...]
         A nova questão social de que tratam autores como Castel (1998) ou Rosanvallon (1998),
entre outros, não é senão o objeto sociológico por excelência: a inquietação quanto à capacidade de uma sociedade manter sua coesão a partir da ameaça de ruptura de vínculos sociais por alguns grupos, ou em termos durkheimianos, a “anomia social”. As metamorfoses da questão social (CASTEL, 1998) estariam profundamente vinculadas à perda de centralidade do emprego (formal), cada vez maior diante do fato de que a sociedade salarial está deixando de incluir trabalhadores, fazendo que o debate passe a girar em torno da vulnerabilidade resultante dessa exclusão – que, mais do que só marginalidade econômica, significa desenraizamento social."

Trechos da tese de doutorado OUTRAS POLÍTICAS PARA OUTRAS ECONOMIAS CONTEXTOS E REDES NA CONSTRUÇÃO DE AÇÕES DO GOVERNO FEDERAL VOLTADAS À ECONOMIA SOLIDÁRIA(2003-2010) Autora: Gabriela Cavalcanti Cunha